Profusão Mental

Idéias, sonhos e pensamentos que afloram

Archive for October, 2008

Cirurgia Refrativa - O porque deste post

A intenção deste post é mostrar as cirurgias refrativas ao longo do tempo e em especial alertar para os cuidados desta cirurgia em que tanto se fala bem durante décadas e onde poucos relatam as dificuldades adquiridas em pós operatórios deste tipo, quais exames fazer antes e quais conservar ao longo dos anos.

Eu era uma míope deste tipo aqui:

Eu me sentia acessório dos óculos. Ficar sem eles nem pensar! Me lembro que tinha algo em torno de 10 de miopia e uns 3 de astigmatismo. Sempre foi assim desde pequenina. Mamãe disse que eu comecei a usar óculos com 4 anos e aos 25 anos não agüentava mais.

Nesta época no Brasil estava surgindo as cirurgias refrativas, caríssimas e não cobertas por planos de saúde. Duas amigas com alto grau, tinham se submetido a fazê-las e tiveram resultados muito bons. Isto me animou.

Vale ressaltar que nesta época as cirurgias deste tipo eram feitas com um bisturi diamantado, anestesia local e a minha foi realizada na própria clínica. Não vou divulgar qual ou o nome do médico pois a intenção não é esta, pois o procedimento foi sendo aperfeiçoado ao longo dos anos e hoje contamos com outras técnicas e exames pré-operatórios que na época não existiam.

Minha cirurgia conta com 16 incisões radiais. A lembrança que tenho é que no olho direito não obtive reações anormais: nem muita dor ou ardência, algum lacrimejamento e sensação de olho seco e sensibilidade a luz (reações consideradas normais). Os medicamentos usados eram colírios pingados de tempos em tempos algumas semanas.

Já o olho esquerdo… todas as sensações acima estavam duplicadas ou triplicadas. Foi extremamente doloroso.  Até a completa cicatrização estes sintomas persistem. Fiquei com grau residual de 1,25 de miopia e 1,0 de astigmatismo.

Para mim foi a glória, pois no dia a dia o óculos nem fazia falta. Somente o utilizava para dirigir ou pegar ônibus. Mas com o passar dos dias ia notando algumas diferenças especialmente ao dirigir e em especial durante a noite.

Aí que reside toda a criação deste post, descobri que hoje minha visão que ainda mantêm um resíduo de miopia (1,25) e astigmatismo (2,0) e que MESMO com correção, alcança somente 20/30. Mas que é essa coisa de 20/30? Esta explicação fica pro próximo post.

A outra coisa importante para se falar é nas conseqüencias do pós operatório, exatamente aquelas que quase ninguém fala. Conseqüencias extremamente graves e que são ocasionadas por diversos fatores desde erros de cálculos, falta de exames específicos, infecções, inflamações, fibroses, sensibilidade aos componentes dos medicamentos, não usar os medicamentos prescritos com extremo rigor e nos horários corretos, sua capacidade de regeneração epitelial…enfim, muitos fatores podem contribuir para uma operação bem sucedida ou não, ressaltando que não é apenas a competência do profissional.

Estas reações advindas da cirurgia também explicarei em detalhes tb em outro post.

Bjos!

Cirurgia Refrativa - Parte I

História / Primeiras Abordagens:

A ceratotomia radial foi introduzida nos Estados Unidos em 1979 e foi amplamente utilizada para a correção da miopia baixa a moderada(1-2). Entretanto, existem registros comprovando a tentativa de alteração cirúrgica da curvatura corneana ainda no século XIX.

Diferentes tipos de cirurgia têm sido desenvolvidos para corrigir erros de refração permanentemente. Atualmente, existem vários tipos de cirurgias refrativas, algumas bastante utilizadas há décadas, outras ainda em fase experimental. Dentre as cirurgias refrativas que apareceram, as mais importantes são a ceratotomia radial (RK) e a ceratectomia fotorrefrativa (PRK).

O que é ceratotomia radial?

A ceratotomia radial (RK) corrige a miopia através do aplanamento da córnea, com uma série de cortes (incisões) na parte central da córnea. Um bisturi com ponta retrátil de diamante é utilizado para realizar a cirurgia. A zona óptica (parte central da córnea, responsável pelo nosso principal tipo de visão) é definida através de um anel circular. A espessura da córnea é medida, e a ponta do corte de diamante é estendida até ficar com o comprimento apropriado. As incisões são feitas a partir da borda da zona óptica até a borda da córnea. Desse modo, a zona óptica central não é tocada. A RK somente pode ser utilizada no tratamento de baixos graus de miopia e astigmatismo; por outro lado, o LASIK pode tratar hipermetropia e graus mais altos de miopia e astigmatismo.

O que é ceratectomia fotorrefrativa?

A ceratectomia fotorrefrativa (PRK) é um procedimento cirúrgico que utiliza um raio laser extremamente preciso para remover tecido corneano, com o objetivo de corrigir erros de refração. A PRK é realizada na superfície da córnea. Considerando que, na PRK, uma grande parte do epitélio corneano (a camada externa de células) precisa ser removida, pode-se dizer que essa cirurgia equivale ao esfolamento do olho ou a uma raspagem corneana, causando muita dor, irritação, lacrimejamento, visão embaçada e a sensação de corpo estranho. Após a PRK, a visão fica embaçada nos primeiros dias, mas melhora com a cicatrização do epitélio corneano e a retirada dos curativos. Ao final de uma semana, a visão estará razoavelmente boa. A correção geralmente se estabiliza após um período de seis meses.

Esta técnica tem algumas desvantagens: é limitada a pacientes com 1 a 4 graus de miopia, pode causar algumas complicações com a cicatrização corneana e leva mais tempo até a total reabilitação visual.

Qual a relação entre LASIK e PRK?

O LASIK se desenvolveu a partir da PRK, e ambas as cirurgias usam o raio laser de forma bastante semelhante. O LASIK proporciona os mesmos benefícios de correção visual, mas com menos (e não tão graves) efeitos adversos quando comparado à PRK. Essa técnica usa um excimer laser para remover parte do estroma corneano. A camada superior de células epiteliais da córnea é preservada, uma vez que a cirurgia ocorre na parte mais profunda, abaixo da camada externa corneana. Como não há abrasão da córnea, o LASIK requer pouca cicatrização. Cinco minutos após a cirurgia, a visão do paciente normalmente está 20/70. Na manhã seguinte à operação, a visão tende a estar 20/40 ou melhor.

Esta técnica que oferece melhores resultados, com maior segurança e precisão, para miopias de até 12 graus, astigmatismos de até 6 graus, e hipermetropias de até 5 graus.

O que é um excimer laser?

O excimer laser é um instrumento computadorizado de alta precisão que usa luz ultravioleta invisível para realizar cirurgias na córnea. Essa luz não provoca praticamente nenhum dano aos tecidos adjacentes, o que aumenta a segurança do procedimento. Cada pulso do raio laser remove uma quantidade minúscula de tecido corneano - aproximadamente 1/500 da espessura de um fio de cabelo humano.

Excimer lasers de primeira e segunda gerações usam um feixe de luz amplo (aproximadamente 6 mm de diâmetro), com uma abertura que controla a quantidade de luz à qual o olho será exposto durante cada pulso. Os fabricantes aprimoraram essa tecnologia, dividindo o amplo feixe de luz único em sete feixes menores, que giram ao redor da área de tratamento (de forma semelhante a um chuveiro, que divide o fluxo principal de água em fluxos menores).

Que outras opções existem para portadores de grau mais altos?

Para graus mais elevados, especialmente acima de 12 graus de miopia e acima de 5 graus de hipermetropia, existem outros procedimentos cirúrgicos mais eficazes, como por exemplo a introdução de uma lente intra-ocular de Artisan, técnica utilizada na Holanda há mais de 25 anos, com resultados exelentes. Esta também já é uma cirurgia realizada de rotina em nosso meio, sob anestesia local e em regime ambulatorial (sem necessidade de internação hospitalar). Esta é uma cirurgia que oferece também um alto índice de segurança, entretanto o paciente deverá ser submetido a um cuidadoso e completo exame oftalmológico prévio. Em muitos casos de alta miopia são necessárias aplicações de laser de argônio na periferia da retina como um preparo ao implante da lente intra-ocular. Nestes graus elevados de miopia e hipermetropia, o implante da lente intra-ocular costuma reduzir a maior parte do grau, podendo o grau residual ser ainda diminuído com uma cirurgia complementar com Excimer laser, como comentado anteriormente.

Cirurgia refrativa personalizada

A cirurgia refrativa com Excimenr Laser hoje conta com a possibilidade de uma correção personalizada, ou seja, além da correção do grau, já é possível, em casos selecionados, melhorar a qualidade da visão corrigindo algumas deformidades corneanas.  É necessária a realização de um exame chamado Aberrometria (ZyWave ou LadarWave) para a verificação da possibilidade da correção cirúrgica destas aberrações ópticas.

Fontes:

http://www.oftalmocentro.com.br/cirurgias.asp

http://www.bausch.com.br/br/vision/concerns/surgery/procedure.jsp